Porto do Açu receberá R$ 22 bilhões em investimentos até 2033

Único porto totalmente privado do Brasil, o Açu (RJ) é resultado de investimentos totais de R$ 20 bilhões, com previsão de investimentos de mais de R$ 22 bilhões nos próximos 10 anos.

Em operação desde 2014, conta com 30 empresas instaladas e 11 terminais privados.

O plano plurianual inclui a expansão das atividades de mineração e óleo & gás, o avanço de projetos de energia renovável e a aceleração da industrialização de baixo carbono.

Eugenio Figueiredo, CEO do Açu, fornece mais detalhes:

Maior complexo porto-indústria privado da América Latina, o Porto do Açu é resultado de investimentos totais de R$ 20 bilhões, com previsão de investimentos de mais de R$ 22 bilhões nos próximos 10 anos. Em quais áreas do Porto serão feitos esses investimentos? O dinheiro é da holding ou partirá das empresas instaladas no Porto?

Essa estimativa em torno de R$ 22 bilhões de investimento nos próximos 10 anos, na verdade, a grande maioria são investimentos dos nossos clientes, ou seja, de empresas que terão contrato de locação de áreas no Porto do Açu e que instalarão aí as suas fábricas, suas unidades de serviços e outros. Em relação aos principais itens, os principais mercados relacionados a esses investimentos que a gente estima no futuro próximo, estamos falando de indústrias que vão fazer produção de hidrogênio verde para, a partir daí, ter a produção de combustíveis do futuro, ou combustíveis verdes. Estamos falando de amônia verde, a de SAF, de e-metanol e alguns outros. Os investimentos potencialmente em data centers são investimentos que também clientes farão nas suas instalações no Porto do Açu e também compõem parte desse investimento em torno de R$ 22 bilhões. E alguns deles potencialmente serão feitos pela própria companhia. Quando falamos no nosso hub de descomissionamento ou de reciclagem de unidades produtoras de petróleo, essa é uma iniciativa que está sendo desenvolvida pela própria Porto do Açu Operações, mas que tem um percentual relativamente menor quando comparado a esse montante total e aos investimentos dos clientes no complexo industrial.

Qual é o share de Minas Gerais nas movimentações do Porto do Açu?

Quando olhamos especificamente para a movimentação feita no nosso Terminal Multicargas, o T-MULT, nós temos aí um percentual de 50% de cargas que chegam de Minas Gerais ou vão para Minas Gerais, entrando ou saindo através do Porto do Açu. Portanto, é um percentual muito expressivo e, logicamente, temos um cuidado especial em sempre estar aqui próximo dos nossos clientes e tendo novas rodadas de discussões e potenciais captações de clientes adicionais, nos mais diferentes tipos de mercados aqui. Estamos falando de agro, de mineração e também de produtos industrializados que podem chegar ou sair a partir do Porto.

Terceiro maior terminal privado de minério de ferro do Brasil e responsável por mais de 30% da exportação de óleo do país, o Açu abriga o maior parque termelétrico da América Latina e a maior base de apoio offshore do mundo. Como o Porto está fazendo para diversificar a atividade?

Essa diversificação, na verdade, já existe na inter-relação de mercados. Começamos como um porto basicamente voltado para a exportação do minério de ferro. Outra vocação nossa – servir a indústria de produção de óleo e gás offshore, principalmente – nasceu por conta de uma localização privilegiada do Porto do Açu. Fisicamente falando, o Porto do Açu está entre 50 e 250 km de distância dos principais campos produtores no offshore. Nós conseguimos atender de forma muito eficiente esse mercado com bases de apoio offshore e outros serviços e produtos fabricados a partir do Porto do Açu. Por sua vez, a produção de energia elétrica, com as duas plantas da GNA – GNA I, de 1,3 GW, e GNA II de 1,7 GW –, também traz essa diversificação. Também temos diversos outros tipos de movimentações e a adição de capacidade fabril para atender o mercado agro, a produção de combustíveis verdes e combustíveis do futuro e o mercado de reciclagem de unidades de petróleo offshore, que já começa a ganhar força no Açu devido ao final do ciclo de vida desses ativos. Então, naturalmente, essa adição de serviços nessas outras linhas vai trazendo uma diversificação de receitas ou de tipos de mercados que são atendidos no complexo industrial ou na movimentação de cargas pelo Porto. Tudo isso vai acontecendo naturalmente com o crescimento dessas outras vertentes.

O Porto do Açu tem 130 km² de área total, dos quais 40 km² são dedicados a uma reserva ambiental. Qual é a capacidade instalada do Porto do Açu atualmente e quanto dela está sendo utilizado? Qual a capacidade máxima que pode chegar em expansões, levando-se em conta a área nominal e as perspectivas de mercado?

Depende muito de qual mercado especificamente ou qual terminal especificamente nós estamos falando. Não existe uma capacidade do Porto de forma genérica e ampla, mas sim dos terminais. Quando olhamos especificamente para o terminal de minério de ferro – o terminal que escoa a produção de minério de Conceição do Mato Dentro (MG) por meio do mineroduto que chega ao Porto do Açu –, este terminal tem uma capacidade nominal de 26,5 milhões de toneladas, e a movimentação efetivamente feita no ano passado foi de pouco mais de 24 milhões, ou seja, está muito próximo da sua capacidade nominal.
O terminal de transbordo de petróleo, o outro terminal que compõe o Terminal 1, que é o terminal de águas profundas de 25 metros de profundidade, nós temos uma licença para fazer movimentação de transbordo de petróleo de 1,8 milhão de barris por dia. E essa capacidade ainda não está 100% tomada. Portanto, essa forma de ver qual é a capacidade do Porto depende muito de qual terminal, de qual atividade, de qual unidade que nós estamos olhando. O Terminal Multicargas, que fica no Terminal 2, esperamos fechar esse ano com algo em torno de 2,7/2,8 milhões de toneladas movimentadas. A capacidade nominal do T-Mult é maior do que isso. Portanto, ainda não estamos na capacidade plena.

O Porto do Açu ainda tem área disponível para ser ocupada?

Dos 90 km² de área do Porto do Açu (os outros 40 km² são referentes à área da Reserva Caruara), temos basicamente metade (44 km²) disponível para ser ocupada com fábricas ou com bases de serviços para os mais diversos tipos. Essa capacidade vai sendo preenchida ao longo das próximas décadas. Este processo ocorre principalmente pelo vetor de ocupação da área que fica à beira da água do Terminal 2 para o interior do complexo. Essa área que fica exposta à água já tem um nível de ocupação bem maior do que o restante em termos percentuais e provavelmente será a primeira a ser 100% ocupada – temos em torno de 75%, 80% de ocupação dessas áreas disponíveis ao longo do canal. O restante do espaço tem um percentual menor de ocupação e vai ser ocupado ao longo das próximas décadas. É um processo que vai acontecer ocorrer de forma gradual.

https://www.otempo.com.br/minas-sa/2026/9/2/porto-do-acu-vai-receber-investimentos-de-cerca-de-r-22-bilhoes-nos-proximos-10-anos