Com represas do Cantareira a 29% da capacidade, Sabesp vai captar água do rio Paraíba em SP

Falta de chuvas no estado levou Agência Nacional de Águas a autorizar emergência hídrica de nível 4 na região metropolitana, o que não acontecia desde 2022

Com o principal reservatório de água de São Paulo em nível baixo, Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA) autorizou a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) a captar água da Bacia do Rio Paraíba do Sul para abastecer a cidade.

O sistema Cantareira (rede de represas que abastece metade da população da região metropolitana) está a 29,3% de sua capacidade, em razão da falta de chuva nos últimos meses. Para poupá-lo, a Sabesp vai reduzir de 27 m³/s (metros cúbicos por segundo) para 23 m³/s a velocidade de retirada de água do manancial.

A compensação será feita com a transferência de até 33 m³/s de água do reservatório Jaguari, no Vale do Paraíba, para a represa de Atibainha. Essa medida emergencial foi definida em regras criadas por uma resolução da ANA após a grande crise hídrica de 2015.

A decisão foi anunciada hoje pela Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas), que elevou a categoria emergencial da atual crise hídrica do nível 3 para o 4, algo que não acontecia desde 2022. A medida passa a valer em 1º de outubro.

Em comunicado divulgado hoje, a agência não mencionou, ainda, necessidade de rodízio ou restrições adicionais no fornecimento de água a consumidores diretos.

“A norma estabelece limites de retirada de água de acordo com o volume acumulado no Sistema Cantareira, conferindo previsibilidade às condições operativas e maior segurança hídrica para a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) e para as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ)”, diz a nota.

Desde segunda-feira, porém, a Sabesp comunicou que ampliou em duas horas o período noturno durante o qual a pressão do sistema de distribuiçao é reduzida. Essa medida pode afetar imóveis em regiões mais altas da cidade, especialmente os que não possuírem caixa d’água própria.

A SP Águas também anunciou, ontem, a suspensão da emissão de novas outorgas para captação de água até que os níveis dos reservatórios do estado se recuperem.

O governo de São Paulo afirma que a restrição também foi motivada pela declaração de escassez hídrica na Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, cujo principal sistema produtor apresentava volume útil de 25,7% hoje.

— Estamos atuando com rigor, adotando medidas com planejamento e antecipação, para que possamos enfrentar essa estiagem com o menor impacto possível sobre as pessoas — disse Camila Viana, presidente da SP Águas, em pronunciamento público. — O Sistema Integrado Metropolitano (SIM) está em 32,4%, ainda acima dos 30% que configuram estágio crítico, mas temos casos de reservatórios do Sistema onde a redução foi maior, por isso estamos atuando para proteger esses recursos.

https://oglobo.globo.com/brasil/sao-paulo/noticia/2025/09/25/com-represas-do-cantareira-a-29percent-da-capacidade-sabesp-vai-captar-agua-do-rio-paraiba-em-sp.ghtml

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