O novo projeto é realizado pela Prefeitura em parceria com a Autoridade Portuária de Santos
Os ecobags são voltados a reduzir a força das ondas, minimizar a erosão costeira e o avanço do mar em Santos, além de armazenar areia no local (Alexsander Ferraz/ AT)
Como parte das ações para conter os efeitos das ressacas e do avanço do mar, a cidade de Santos, no litoral de São Paulo, instalou ecobags entre o Aquário Municipal e a Ponta da Praia. O próximo passo é expandir essa barreira até as imediações do Canal 4, projeto que está em andamento por meio de parceria da Administração Municipal com a Autoridade Portuária de Santos (APS).
A Prefeitura explicou que, no momento, a cidade de Santos conta com ecobags, barreiras submersas em formato de ‘L’, com mais de 500 metros de extensão, e um paredão de rochas junto às muretas, para reduzir a força das ondas, minimizar a erosão costeira e os impactos do avanço do mar, e armazenar areia no local.
“A estrutura foi fundamental para minimizar os efeitos da ressaca sobre Santos no final de julho, tanto que não houve comprometimento nesta região. Os ecobags devem ser expandidos pela APS até as imediações do Canal 4, conforme estudo apresentado à Prefeitura de Santos e ao Ministério Público”, destaca a Administração Municipal.
A Tribuna entrou em contato com a Autoridade Portuária de Santos para obter mais detalhes sobre o projeto, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria.
Ação da Unicamp
A erosão costeira no litoral de São Paulo é um processo natural que causa desgaste e recuo da linha da costa, provocado pela ação de correntes marítimas, marés e outros fatores. O litoral de Santos possui histórico conhecido de processos erosivos, especialmente na região da Ponta da Praia. Nesse trecho, a dinâmica natural é caracterizada por uma corrente local que transporta sedimentos no sentido leste-oeste, deslocando material das praias de Santos em direção a São Vicente, como explica a oceanógrafa Regina Ferreira.
Mas, além dos fatores naturais, o processo de avanço do mar e intervenções humanas também influenciam o equilíbrio sedimentar local. “Um exemplo é o aprofundamento do canal do estuário realizado para ampliar a capacidade de navegação do Porto de Santos. Embora seja uma obra fundamental para a economia e logística portuária, alterações dessa natureza podem modificar o regime hidrodinâmico da região, afetando o transporte e a deposição de sedimentos próximos à linha de costa”.
Com o objetivo de reduzir a erosão costeira, foram implantados os ecobags, iniciativa a princípio desenvolvida a partir de estudos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), como esclarece a oceanógrafa. A solução, de caráter provisório e com extensão limitada, apresentou eficiência inicial na Ponta da Praia, mas acabou contribuindo para a intensificação da erosão costeira em praias vizinhas, como Aparecida e Embaré, que também passaram a diminuir, com auxílio do avanço do mar.
Processos erosivos na Aparecida
A Praia da Aparecida, em Santos, tem enfrentado processos erosivos mais intensos nos últimos anos. Durante a ressaca de 29 de julho deste ano, a combinação do pico de maré de 2 metros na região da orla com ondas de quase 4 metros provocou um cenário que resultou em danos estruturais extensos no calçadão e agravou ainda mais a erosão local.
Segundo a especialista, eventos como esse mostram que a maior frequência e intensidade das ressacas têm potencial para ampliar os impactos em áreas já vulneráveis, “reforçando a necessidade de monitoramento contínuo e de soluções integradas que considerem a dinâmica natural, as intervenções humanas e os efeitos do agravamento das mudanças climáticas”.