Um estudo conduzido por pesquisadores holandeses afirma que, entre os locais com séries históricas longas e confiáveis, 95% não mostram aceleração estatisticamente significativa do nível do mar.
Os autores compararam leituras de estações costeiras que medem a altura do mar ao longo das décadas com projeções usadas em cenários internacionais.
A taxa média estimada ficou perto de 1,5 mm por ano, abaixo dos números mais altos frequentemente adotados. Onde a série é robusta, a tendência se manteve praticamente constante.
Quando há aceleração, ela apareceu em uma minoria de casos e, segundo os autores, costuma estar associada a fatores regionais, como afundamento do solo por extração de água, movimentos tectônicos ou ajustes naturais da crosta.
Ao confrontar medições com projeções globais, os pesquisadores relatam que as estimativas tendem a superestimar a taxa em vários trechos costeiros.
Os autores do estudo defendem ampliar e padronizar as redes de medição para reduzir incertezas e melhorar a calibração de modelos. Quanto melhor o retrato local, mais preciso o planejamento de contenções, diques, elevação de ativos e seguros.
Instituições técnicas também registram sinais de aceleração quando se olha para recortes específicos e para a média global recente estimada por satélites.
A mensagem conjunta é que o comportamento do nível do mar varia no espaço e no tempo. Por isso, decisões públicas e privadas devem explicitar quando referências globais são mais altas do que a realidade medida em cada ponto, e considerar riscos imediatos como tempestades, erosão costeira e falhas de energia.
Contra o alarmismo
Como referência de política pública, Bjorn Lomborg, do Copenhagen Consensus, sustenta que o aquecimento é real e relevante, mas que exageros na comunicação podem desviar dinheiro de soluções eficientes em custos.
Ele propõe três eixos: imposto de carbono moderado e crescente, aumento de investimento em pesquisa e desenvolvimento de energia limpa e forte adaptação local, com foco em infraestrutura resiliente, alerta precoce e proteção contra eventos extremos.
Lomborg afirma que políticas devem ser avaliadas por custo e benefício, com prioridade a medidas que entreguem maiores ganhos sociais por dólar investido, inclusive em países pobres.
Defende também acelerar inovação de baixo carbono para baratear alternativas, em vez de impor metas caras que podem pesar no orçamento das famílias e nas finanças públicas.
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